segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Saudades de Pernambuco

Jovem ela era, e bela. Vênus me presenteara com uma ninfa de rara beleza, mas não tão rara a ponto de lhe causar inveja. A beleza simples de um sorriso, um gesto de carinho. Recebi minha graça com alegria e guardei-a no coração. Os dias passam. Nosso amor crescia e amadurecia. Nossa relação estabilizava-se. É chegado o dia, enfim, de conhecer meus sogros, o casal que concebera a minha rosa.

Chego à casa. "Bons dias e boas noites". "Quem é você? Quem são seus pais? É de família nobre? Qual a profissão deles? Qual a sua renda familiar? O que você faz da vida, seu vagabundo?!?!?! Você não quer apenas... ['ter conjunção carnal'] com a minha princesinha não, né?!?!"

"Não, senhor. Eu amo a sua filha de verdade. Eu não quero apenas... ['pecar'] com ela. Espero, com meu salário de professor de Latim, proporcionar a vida feliz e confortável que ela merece. [...]."

Mal-estar e sorrisos amarelos passaram a marcar a minha relação com meus sogros. A partir daquele momento, meu namoro foi abalado, apesar de não derrubado. Cada vez que eu os visitava, ouvia desaforos, sentia-me ofendido. E ela, doce e carinhosa como sempre, tentava me acalmar e me consolar. Eu devia compreendê-la, afinal, eram seus pais. Mais isso não diminuia um certo ódio crescente dentro de mim. Resistir era necessário, e abaixar a cabeça. Pois se eles me tratavam desse jeito, do que seriam capazes, caso eu me insurgisse contra eles?

Enquanto isso, eu e minha dileta ficávamos cada vez mais fortes, cada vez mais íntimos... era natural que, com o passar do tempo, algo acontecesse...

Eis que, recém-habilitado, pego-a, com meu celta branco, após a aula na UFF. Levo-a a um restaurante, na Ponta d'Areia, frutos do mar. Ela não bebia, mas começou naquela noite. E se embriagou tão rápido que eu me senti cruel com isso, como se realmente o pai dela tivesse razão.

Sem luxo, nossas núpcias consumaram-se num motel de quinta categoria, perto da Rodoviária, no boêmio centro da cidade. Naquele momento, uma força misteriosa se apoderou de minha menina e a fez retirar o meu cinto com muito mais desenvoltura do que eu tirei o seu sutiã. Antes do que eu planejara, ela começou a me felar. E ria, e sorria a cada espasmo que eu tinha, e se divertia.

Com um nó e jogada ao lixo a primeira camisinha, eu me levantei e me ergui diante dela. Ela se encolheu diante de mim. Foi nesse momento, que me lembrei de seus pais, e de seu discurso viperino. Uma raiva me subiu à mente, fazendo que eu perdesse o controle e desse um tapa com toda força na cara dela!

Um arrependimento súbito seguiu-se àquele momento. O que eu fiz? Agredi aquela menina tão doce e frágil que eu amava tanto! Vi-a enxugar a lágrima. Eis que, no entanto, ela olha pra mim e sorri: "Vem, meu amor".

Então com a mesma ira do tapa, eu segurei seus dois pulsos com uma de minhas mãos, apoiei-a de bruços sobre o braço do sofá, e comecei a fazer com ela todas as coisas que seus pais tanto temiam.

Durante o nosso sexo, temi muitas vezes agir com força em demasia. Ela, por vezes gritava, por vezes gemia suavemente, causando-me dúvida se realmente estava gostando. Mas ela sempre pedia por mais...

E naquela noite, a menina delicada e sorridente me exauriu. Gastamos nove camisinhas. Naquela noite, mais um casal de pais se fez infeliz...

No dia seguinte, voltei à casa de meus sogros. Assim que os vi, sorri ironicamente. Meu sorriso os assustou de tal forma que eles entenderam, telepaticamente o que acontecera. Confesso que me senti soberbo, como dissesse "Aí, irmão, danifiquei sua filha!".

Mas o estranho é que eles passaram a me respeitar depois desse dia. Hoje, muito tempo depois, essa menina carrega um pequeno latinista dentro dela, fora o outro que já está um rapazinho.

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